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Um diamante negro: Leila Lopes – Primeira angolana coroada Miss Universo

Primeira angolana coroada Miss Universo, Leila Lopes traz à tona a valorização da beleza negra mundo afora. Agora, o foco é social: combater a AIDS e reduzir a pobreza no mundo

POR EDMEA FERREIRA

FOTOS PATRICK PRATHER/DIVULGAÇÃO

Ser coroada a mulher mais bela de todo o universo é a consagração máxima. Tal proeza foi alcançada por Leila Lopes, a primeira angolana a receber o título. A responsabilidade que carrega nas mãos é grande não só para a sua vida, como também para seu país. Afinal, a coroação contempla a valorização da beleza negra ao redor do globo e o respeito às diferenças. Com lágrimas nos olhos, Leila recebeu a coroa das mãos da Miss Universo 2010, a mexicana Ximena Navarra, em cerimônia realizada no Credicard Hall, em São Paulo. Tão brilhante e preciosa quanto um “Diamante Negro” – como é chamada em seu país – a vencedora, de 25 anos, já era a preferida do público durante a competição. Cada vez que desfilava, os aplausos e os gritos contagiavam a plateia, mas o momento de maior destaque aconteceu quando, entre as cinco finalistas, ela respondeu a pergunta da sabatina. “Considero-me uma menina bonita por dentro, tenho meus princípios, meus valores adquiridos da família. Fui muito bem educada e quero ser assim a vida toda”, ressaltou.

Minutos depois, lá estava Leila com a faixa de Miss Universo. Começou assim um dos capítulos mais importantes da vida dessa angolana, cuja trajetória não destoa da maioria das garotas de sua idade. Filha de uma enfermeira e um empresário, sempre priorizou a educação. Ao concluir os estudos em Angola, mudou- se para a Inglaterra ao ganhar uma bolsa para cursar engenharia. Fez um ano, desistiu e só encontrou o seu caminho quando as aulas na faculdade de administração de empresas começaram. Lá mesmo, na Inglaterra, e já adaptada à língua e aos costumes britânicos, Leila recebeu o estímulo da família e dos amigos para candidatar-se ao Miss Angola. Dona de uma beleza rara, chegou até a integrar o casting de uma agência de modelos em seu país, mas, de tão tímida, não se destacava.

FOTOS PATRICK PRATHER/DIVULGAÇÃO

O sorriso constante e uma timidez que chega até a encantar fizeram Leila vencer o Miss Universo. Por vários dias na academia, ela observava as outras garotas, muito mais soltas, e se questionava se teria chances de chegar à final. “Tentei estar sempre alegre e contagiar o público, independentemente da tensão de estar em uma competição tão importante”, lembra. Em São Paulo, no “grande dia”, em suas preces individuais, não teve a pretensão de pedir para vencer, orou apenas para sentir-se segura durante todo o concurso. E conseguiu!

Mas vida de miss que se preze é muito mais que glamour. Além da beleza negra, Leila Lopes pretende atrair os holofotes do mundo para Angola (em investimentos e geração de empregos) e lutar pelo combate à Aids e à pobreza extrema. “Darei prioridade às crianças desfavorecidas. Se queremos ter um futuro melhor, devemos investir e proporcionar educação, saúde e qualidade de vida para nossas crianças.” As causas sociais ocupam a maior parte da agenda de Leila desde o tempo de Miss Angola, quando visitava hospitais e instituições, fazendo e incentivando doações e apoio ao combate à Aids.

Como foi sua infância em Angola? 

Nasci em Beguela, em uma família de classe média. Meus pais são separados, tenho dois irmãos por parte de mãe e quatro por parte de pai. Minha mãe é enfermeira e meu pai empresário. Até os 15 anos, morei em Benguela, vim para Luanda e, aos 20, fui morar na Inglaterra.

Por que decidiu mudar para a Inglaterra?
Tinha vontade de me formar em um país de língua inglesa. A oportunidade de estudar na Inglaterra surgiu quando ganhei uma bolsa de estudos ao concluir o ensino médio, em Luanda. Inclusive, já tinha até começado a faculdade de engenharia, abandonei para ir cursá-la na Inglaterra, fiz um ano e desisti. Só me encontrei quando comecei a cursar administração de empresas.

Como foi o processo de adaptação? Foi difícil viver tão longe da sua família? 
Em Angola, tinha uma vida normal, com amigos, escola, ir à igreja, ao coral. Na Inglaterra tudo mudou por completo, eu não conhecia ninguém. A única coisa que sabia era da existência de quatro angolanos em minha cidade, mas não conheci nenhum. Fui morar na casa de uma família inglesa, falando o básico do idioma, mesmo assim, eles não me entendiam. Com o tempo, comecei a me adaptar, passei seis meses nessa casa com uma senhora que tinha muitas netas, aprendi bastante com elas, as crianças têm facilidade para ensinar. Quatro meses depois, estava falando inglês muito bem.

Na época em que viveu em Londres, chegou a sofrer algum tipo de preconceito, por ser negra? 
Eu, pessoalmente, não sofri nenhum tipo de racismo durante a minha estada na Inglaterra ou em qualquer outra parte do mundo. Para aqueles que sofrem ou já sofreram racismo o meu conselho é ignorar e manter-se forte. Em pleno século 21, é inadmissível alguém pensar dessa forma. Devemos respeitar as diferenças de raça, sexo ou classe social.

Em algum momento, sentiu que seria a grande vencedora?
Sim. Além da autoconfiança, percebi que as pessoas aplaudiam bastante quando eu passava. Ao chegar no camarim, a equipe sempre me falava que eu tinha arrasado, isso ia me deixando ainda mais confiante.

No momento do resultado, o que sentiu? 
É uma emoção muito grande, nunca senti algo assim. Eu só pensava: ‘Valeu a pena, valeu a pena andar todos os dias de salto alto para aprimorar a habilidade, valeu a pena acordar todos os dias às seis da manhã e fazer abdominais, e claro, valeu a pena toda a reza e os pedidos que fiz a Deus.’

FOTO PATRICK PRATHER/DIVULGAÇÃO

Conte-nos sobre os dias na academia. 
No princípio achei que seria muito difícil conviver com mulheres de diferentes culturas, cidades, hábitos… Depois de conhecê-las, notei que era só me adaptar ao estilo de cada uma. Acabou sendo fácil. Aprendi bastante e também ensinei, uma valiosa experiência que levarei para o resto da vida.

FOTO DORREN DECKER

Acredita que sua vitória ajudou na valorização da beleza negra no mundo? 
A minha vitória foi muito importante para a valorização da beleza negra no mundo. Ao ser coroada Miss Universo, acredito estar mostrando para as pessoas o quanto é importante apreciar as diferenças. Há mulheres maravilhosas ao redor do mundo, cada raça tem as suas peculiaridades. Vou mostrar o valor e a beleza da mulher africana para o mundo!

E para Angola? De que forma esse título poderá contribuir para o desenvolvimento do país? 
Receber o título de Miss Universo é sinônimo de orgulho para todos os angolanos. Com essa vitória estou tendo a oportunidade de ser a porta-voz do meu país e mostrar ao mundo uma Angola riquíssima de cultura e pessoas educadas. Temos muitos recursos naturais em nossa terra, é uma pena que poucas pessoas enxerguem Angola dessa maneira. Pretendo mudar essa visão e chamar a atenção de empresários e pessoas interessadas em investir na região, impulsionando a economia e o mercado de trabalho.

“VALEU A PENA, VALEU A PENA ANDAR TODOS OS DIAS DE SALTO ALTO PARA APRIMORAR A HABILIDADE, VALEU A PENA ACORDAR TODOS OS DIAS ÀS SEIS DA MANHÃ E FAZER ABDOMINAIS, E CLARO, VALEU A PENA TODA A REZA E OS PEDIDOS QUE FIZ A DEUS”

Como Miss Angola, você já era envolvida em causas sociais? A vida mudou bastante? 

FOTOS PATRICK PRATHER/DIVULGAÇÃO

Ganhar o Miss Angola foi uma grande mudança em minha trajetória. Parei os estudos na Inglaterra e fiquei no país cumprindo a agenda de miss. A minha vida certamente se tornou mais regrada, mesmo com as viagens pelas províncias. Exerci o mandato com responsabilidade e consciência, principalmente em relação aos projetos sociais. Como Miss Angola, trabalhei com crianças carentes em busca da melhoria na saúde e na educação. Outro importante projeto em que estive engajada foi no combate ao vírus da Aids. Além do apoio aos pacientes, trabalhei para conscientização para a prevenção, educando o público e mostrando que era necessário enfrentar a discriminação e lutar pela vida. Visitei instituições especializadas no tratamento de pacientes com Aids, doando roupas, alimentos e medicamentos. Também fui a hospitais e fundações. Passei um bom tempo conversando com mulheres que queriam muito engravidar, as incentivei a desistir, pois não teriam como sustentar e dar uma educação digna aos filhos. Grande parte delas tinha Aids e só conseguiriam ter uma gravidez saudável se tomassem dezenas de medicamentos. Como Miss Universo, vou continuar nessa batalha e apoiar o direito das mulheres por todo o mundo.

Quais seus planos para esse ano de reinado? 
A minha vida pessoal ficará à mercê do título. Sei que conhecerei muitas pessoas e serei sempre a mesma Leila. Quanto ao lado profissional, o projeto principal é a luta contra a Aids. Sempre tive vontade de ajudar em uma ação social desse tipo, mas como estava na Inglaterra, ficava complicado. O máximo que conseguia fazer era doar roupas e alimentos. Mas agora chegou a minha hora, farei tudo o que posso pelo bem universal.

Fonte: Revista Raça Brasil

Uma resposta

  1. Muito linda ..que Deus cuida a cada dia de seus sonhos…

    25 de setembro de 2012 às 10:45

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